Se algum dia eu pensava ter gosto e jeito para a escrita, principalmente poesia?
Claro que não, aliás sempre pensei que confirmaria a minha falta de jeito para tal, quando eu me candidatei ao prémio literário Camilo Castelo Branco na minha escola, onde perderia de vez a esperança de tornar meus poemas públicos, arrumando assim a minha lapiseira e o meu bloco de folhas. Qual não foi o meu espanto quando ganho esse mesmo prémio com distinção, o meu maior prémio não foi o valor do prémio em si, foi o valorizar-me a mim mesmo, foi o aplauso pelo reconhecimento de meu valor para a escrita.
A partir daí, nunca mais parei; umas vezes escrevia mais textos, outras vezes menos, talvez escrevia com o decorrer dos acontecimentos da minha vida.
Acontecimentos maioritariamente maus entre eles o amor da primeira paixão à sua consequente desilusão por não ser correspondido, ao desaparecimento das pessoas que me eram mais queridas, entre elas um irmão com nove anos, um filho de um mês que eu mesmo vi a perder a vida, acabando na morte de minha avó, a minha segunda mãe.
Foram estes acontecimentos que me deram e dão conteúdos para escrever e a ajuda de uma amiga já ela escritora que não deixou que meus textos ficassem desconhecidos para o mundo dando-me cabo da cabeça e a prova disso, é este meu blog onde em formas de poemas farei como se fosse quase um diário, não utilizarei palavras caras mas se calhar mais dura para a dor, bem como palavras belas para a felicidade.
Hoje o homem que já foi menino e tinha até aos seus sete anos a sua esperança de vida, começa a sua aventura mais a sério na escrita mas também com uma grande finalidade, tornar ainda vivos as pessoas que nunca serão esquecidas.

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